Pai do Ethio-jazz vem pela primeira vez ao Brasil e realiza duas apresentações no teatro da unidade acompanhado por sua banda
Artista mais importante da história musical recente da Etiópia, o compositor e multiinstrumentista Mulatu Astatke, pai do Ethio-jazz, vem pela primeira vez ao Brasil para duas apresentações no SESC Vila Mariana.
Os shows contam com a banda de Mulatu, formada por sete músicos, e serão realizados nos dias 19 e 20 de março, no teatro da unidade. Mulatu toca piano e percussão mas seu instrumento principal é o vibrafone. A obra do compositor ganhou maior popularidade com os lançamentos da série de discos “Ethiopiques” e da trilha sonora do filme “Broken Flowers” (“Flores Partidas”), de Jim Jarmusch, com Bill Murray, em 2005.
Nascido em 1943, em Jimma, na Etiópia, Mulatu foi para o Reino Unido aos 16 anos de idade para terminar os estudos, inicialmente com foco nas Ciências. Mas a música rapidamente tomou sua atenção e, depois de terminar os estudos, entrou no Trinity College, em Londres. Começou a tocar em clubes e costumava andar com músicos como Tubby Hayes, Frank Holder, Joe Harriot e Ronnie Scott.
Foi na Inglaterra que Mulatu começou a ver artistas de países como Ghana, Nigéria e Trinidade tentando promover e mostrar sua música para o público europeu. Para muitos artistas afro-americanos da época, a África era quase uma metáfora, uma inspiração mais do que qualquer coisa. Art Blakey, Yusef Lateef e Randy Weston estudaram e tocaram no país e trouxeram um novo frescor para sua música.
Primeiro aluno africano do famoso Berklee College, em Boston, Mulatu mudou para Nova Iorque e formou o grupo The Ethiopian Quintet em 1963. Formada por músicos afro- americanos e porto-riquenhos, a banda gravou dois álbuns intitulados "Afro-Latin Soul". A idéia era mostrar as raízes africanas da musica latina, com melodias etíopes e instrumentação ocidental. Durante esses anos agitados, Mulatu aproximou-se de John Coltrane, que ficou curioso ao conhecer um músico africano que misturava estilos daquela maneira. Mais tarde, Mulatu gravou um álbum com a viúva de Coltrane, Alice, quando ela visitou a Etiópia mas as gravações foram perdidas durante o governo de Mengistu.
No final dos anos 1960, Mulatu retornou a Addis, na Etiópia, e colaborou com o Gabre-Medhin. Chegou a compor para os espetáculos do poeta. Continuou seu trabalho fazendo novos arranjos para melodias tradicionais da Etiopia e foi coroado "Pai do Ethio-Jazz". A vida noturna de Addis começou a tomar consciência do novo pop etíope, um híbrido de funk, soul e jazz com as melodias tradicionais do país. Um número considerável de músicos do país começou a ser notado, criando uma pequena indústria musical, o que desafiava a política de censura do imperador Mengistu. Duke Ellington foi ao país em 1973 e tocou com Mulatu em uma de suas últimas visitas a África. Mas essa época de criatividade não duraria muito sob a política repressiva de Mengistu.
Durante o período de repressão, Mulatu era membro da International Jazz Federation (IJF), uma organização ligada a UNESCO, que lhe deu condições de viajar o mundo e ofereceu a ele uma certa liberdade. O compositor também participou do "National Black Arts Festival" na Nigéria, onde apresentou uma produção chamada "Our Struggle" (A Nossa Luta). No festival que viu pela primeira vez Fela Kuti e Sun Ra, músicos com os quais tinha sido comparado anteriormente.
Após a bem sucedida colaboração com a banda Heliocentrics, o Pai do Ethio-jazz apresenta seu novo álbum, "Mulatu Steps Ahead", lançado em 2010. O trabalho explora novas direções na fusão da musica etíope com o jazz ocidental, levando mais longe o som que Mulatu criou na década de 1960. O disco conta com membros da Either/Orchestra de Boston, músicos etíopes, membros do Heliocentrics, músicos de jazz ingleses e músicos africanos.
Mulatu Astatke no SESC Vila Mariana
Data: 19 e 20 de março. Sábado, às 21h, e domingo, às 18h.
Local: SESC Vila Mariana - Teatro
Endereço: Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana
Telefone: (11) 5080 3000
Valor dos Ingressos: R$ 42,00 [inteira], R$ 21,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] R$ 10,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC a partir do dia 01/03, às 14h.
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos