Um barco à deriva. Reflexões sobre a comédia da vida!...
A comédia Orinoco, do dramaturgo mexicano Emilio Carballido, reestréia dia 26 de fevereiro, sábado, na Sede da Companhia do Feijão, às 20h. Sob direção de Dagoberto Feliz, a montagem traz Bete Dorgam e Daniela Carmona interpretando duas atrizes decadentes a caminho de um campo petroleiro, mas se descobrem sozinhas num barco à deriva.
A montagem, que fez sua primeira temporada, em 2009, no Teatro João Caetano, rendeu a Bete Dorgam a indicação ao Prêmio Quem de Melhor Atriz.
O enredo de Orinoco se desenvolve a partir de situações que beiram o absurdo. As duas artistas de cabaré, Mina e Fifi (respectivamente Bete Dorgam e Daniela Carmona), encontram-se em um barco cargueiro nos confins do caudaloso Orinoco a caminho do campo, aonde farão um show. O rio nasce nas Guianas, cruza a floresta amazônica, separa a Venezuela da Colômbia e deságua no Atlântico. Numa manhã que parecia comum elas despertam e se dão conta de que estão sozinhas. A tripulação desapareceu misteriosamente. Com elas restou apenas um homem que foi esfaqueado e está caído na cabine do capitão.
Mina é a mais velha. Perto de completar 50 anos, ela não tem muitas esperanças nem se ilude mais com o futuro. A mais jovem, Fifi, transborda alegria e agitação. É ela quem tece sonhos em busca do sucesso da dupla. A personalidade de cada uma fica evidente diante da inusitada situação do barco desgovernado: Mina se conforma e aguarda pelo destino cruel, mas Fifi não descansa e busca soluções para evitar a tragédia.
No borbulhar da trágica situação Mina revela a verdade para a amiga. O emprego que as espera não se trata de um cabaré, mas de um bordel comandado por um gangster sem escrúpulos. Fifi se depara com a realidade sem perspectiva alguma de um final feliz. E as tensões se agravam em direção a um final cada vez menos previsível.
A encenação de Dagoberto Feliz passa pelo fantástico. Um barco permanece em cena podendo ser também uma casinha de bonecas ou um palco de cabaré. O texto de Emílio Carballido pode ser encenado como a metáfora dessa angústia artística de duas mulheres que se portam em cima de um palco como duas meninas em uma casinha de boneca, afirma o diretor. Não é um teatro realista, as personagens são meninas que brincam de contar essa história. Tudo é considerado um número teatral, completa. A maioria das coisas em cena é manipulada pelas atrizes, como os ensaios que se transformam em números musicais; o CD que colocam para praticar seus passos de dança é a trilha da peça; um varal de roupas se transforma em uma cortina.
Orinoco disserta sobre a vida humana em geral e sobre a vida do artista. As personagens, apesar de estarem inseridas em uma comédia, são marginais e não vêem luz no final do túnel. É uma metáfora da vida do artista e de toda pessoa que pensa estar indo para um lugar e percebe que vai para outro diferente.
Ficha Técnica
Espetáculo: Orinoco
Gênero: Comédia
Texto: Emilio Carballido
Direção: Dagoberto Feliz
Elenco: Bete Dorgam e Daniela Carmona
Direção musical: Dagoberto Feliz
Cenários: Flavio Tolezani
Figurinos: Daniel Infantini
Iluminação: Aline Santini
Assistência de direção e coreografias: Kátia Naiane
Trilha sonora: Dagoberto Feliz, Bruno Maia e Diogo Monteiro
Música original (Tesouras): Dagoberto Feliz e Daniela Carmona
Fotos: Flavio Tolezani
Projeto gráfico: Daniela Carmona
Produção: Mauricio Inafre
Realização: Skenes Consultoria, Desenvolvimento e Arte
Reestréia: 26 de fevereiro, sábado às 20 horas
Local: Sede da Companhia do Feijão
Endereço: Rua Teodoro Baima, 68 – Vila Buarqeue/SP - Tel: (11) 3259-9086
Informações sobre o espetáculo: 7874-7623, com Daniela.
Temporada: de 26/02 a 10/04 - sábados e domingos - às 20 horas
Ingressos: R$ 20,00 (½ entrada p/ estudantes, maiores de 60, classe teatral. Promoção especial: R$ 5,00 p/ os alunos da SP Escola de Teatro, c/ comprovante). Bilheteria: 1h antes das sessões.